A Psico-oncologia é uma área dedicada ao estudo das questões psicológicas e reações emocionais do doente de cancro, dos seus familiares e cuidadores, ao longo de toda a trajetória da doença, bem como os aspetos comportamentais e sociais que influenciam a morbidez e a mortalidade face à doença.

A Psico-oncologia foi impulsionada pela Jimmie Holland, nos finais dos anos 70, tendo sido formalmente estabelecida como uma área educacional, clínica e científica nos anos 80.

O aparecimento tardio da psico-oncologia teve relação com o estigma secular em torno da doença mental e psicológica, bem como, pelo estigma em torno do cancro. Antes de meados dos anos 70 a palavra ‘Cancro’ era impronunciável. O medo, a vergonha e culpa do cancro eram emoções de tal forma dominantes, que a família do doente não revelava este diagnóstico a ninguém, nem ao próprio doente, com receio de repercussões que pudessem advir. Por isso, a psico-oncologia surgiu apenas formalmente, quando existiu uma mudança neste padrão. Ou seja, o diagnóstico de cancro passou a ser revelado ao paciente, falando-se das implicações do cancro nas sua vida, permitindo assim, pela primeira vez, que os doentes revelassem os seus sentimentos. Isto coincidiu também com várias outras mudanças sociais: um maior otimismo público em relação ao cancro, fundamentado principalmente pelo aumento de sobreviventes, entre os quais celebridades (exemplo, Betty Ford and Happy Rockeffeller, 1975), que começaram a dar voz aos seus resultados positivos e a revelar a sua experiência com a doença. Esta quebra de silêncio rompeu o estigma de outrora e instigou à investigação no âmbito psicossocial e psiquiátrico da oncologia.

A psico-oncologia tem atualmente uma grande diversidade de domínios e áreas de atuação. Sumariamente,  o seu objetivo final é o de identificar e abordar as componentes psicossociais para adaptação e cuidado que levam à melhoria da saúde e bem-estar dos doentes oncológicos, o seu tempo de sobrevivência e qualidade de vida. Como tal, esta área estende-se aos seus familiares, cuidadores, profissionais de saúde, podendo ainda contribuir para recomendações políticas e organizacionais que visem a melhoria dos cuidados prestados e qualidade de vida com o cancro.