Existem vários mitos acerca do psicólogo e da prática da psicologia que podem influenciar as pessoas a não procurar apoio. Abaixo, estão listados alguns mitos e analisada veracidade dos mesmos:

Mito 1 “Quem vai ao psicólogo é louco!”

Embora a psicologia tenha surgido com foco na doença mental, atualmente reconhece-se que mesmo pessoas sem qualquer diagnóstico desta natureza, podem beneficiar de intervenção psicológica, aumentando o conhecimento de si próprias ou trabalhando qualquer tipo de questões vivenciais (existenciais). Efetivamente, muitas pessoas procuram a psicoterapia para aprender a lidar melhor com questões pessoais (dificuldades, conflitos, mudanças), assim como também para um melhor desenvolvimento de si mesmas, e/ou como um auxílio para enfrentar e prepararem-se para novas fases e ciclos de vida. Mediante o diagnostico de cancro, a pessoa é confrontada com uma situação inesperada, repentina, que ameaça a sua vida, podendo ainda causar instabilidade em muitas áreas da sua vida (e.g., família, emprego etc.). Assim, o apoio psicológico pode ser pertinente para ajudar a pessoa a compreender e ajustar-se perante tais mudanças.

Mito 2 “Psicoterapia é o mesmo que auto-ajuda”

Não. A intervenção psicológica é sempre feita com base em pressupostos científicos, tendo em consideração a perturbação, fase de vida específica/ou episódio isolado na qual a pessoa se encontra. A auto-ajuda por sua vez, dá sugestões, não tendo em consideração as particularidades de cada indivíduo, podendo por isso ser arriscada e, nalgumas situações, pode mesmo ser prejudicial.

Mito 3 “Procurar um psicólogo é sinal de fraqueza” 

Quando se fala de aspetos psicológicos não há força ou fraqueza mas diferentes formas de lidar com situações específicas. Entre várias causas possíveis, procurar um psicólogo pode significar reconhecer a existência de um problema/ uma situação em que se sente necessidade de ajuda. Acima de tudo, não tem que ver com fraqueza, mas sim com o compromisso com o seu próprio bem-estar.

Mito 4 “A consulta do psicólogo é só conversa, para isso falo com outra pessoa!”

Embora o diálogo e a escuta sejam ferramentas de trabalho imprescindíveis para o psicólogo, a psicoterapia é muito mais do que “conversa”. Não obstante que possamos sentir alívio quando temos uma ”boa conversa” com alguém, muitas vezes é-nos difícil expressar o que sentimos e ser compreendidos nessa conversa. Além disso, em muitas situações, quem nos ouve, tende a dar conselhos que podem não ser os mais ajustados à nossa realidade e caraterísticas. O psicólogo facilita não só a expressão das nossas emoções, como o entendimento e interação das mesmas com o nosso pensamento e ações. Assim, as estratégias implementadas ajudam o paciente entender o seu padrão de pensamento e comportamentos, podendo posteriormente responder às situações autonomamente e de forma mais ajustada.

Mito 5 “Tenho acompanhamento psiquiátrico, por isso não preciso de psicólogo”

Existem várias diferenças entre o trabalho realizado pelo psicólogo e o trabalho realizado pelo psiquiatra. Em Portugal, apenas o psiquiatra pode prescrever medicação, já que a psiquiatria é uma especialidade médica. Assim, a utilização de medicação é um elemento-chave na terapêutica psiquiátrica, podendo justificar-se em situações de doença mental mais profunda ou transitoriamente, em estados agudos. Já na psicologia o trabalho é desenvolvido na relação entre o paciente com o psicólogo, através da aprendizagem de estratégias e reformulação de pensamentos, para que o utente se ajuste às situações problemáticas de forma autónoma e eficaz. O apoio desenvolvido pelo psicólogo e pelo psiquiatra é muitas vezes complementar, ou seja, dependendo da situação clínica, o paciente pode beneficiar do acompanhamento por parte de ambos.